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LIBERDADE MENTAL - DESVINCULE-SE E DESAPEGUE-SE DE UM NARCISISTA

  • Foto do escritor: Leo Bertolazzi
    Leo Bertolazzi
  • 26 de fev. de 2024
  • 8 min de leitura




Às vezes, sentimos uma atração irresistível, mesmo quando não desejamos. Quando percebemos, estamos imersos em pensamentos, dormindo e acordando com eles. Olá, eu sou Leo Bertolazzi, psicanalista, e ajudo à você a reconhecer relacionamentos abusivos e claro, a se libertar. Seja bem-vindo ao canal “Narcisismo sem máscara”, esse é o seu espaço para o conhecimento e o autoconhecimento.

 E hoje discutiremos como se desconectar mentalmente de um narcisista. Uma das grandes dificuldades ao sair de um ciclo de abuso narcisista é a persistência do vínculo mental, mesmo após o término do relacionamento, deixando a casa dos pais, ou mudando de emprego. A mente permanece conectada, os pensamentos são incessantes, e há uma sensação de energia persistente, dificultando a retomada do controle. Mesmo ao tentar se libertar, a mente parece capturada, os pensamentos descontrolados, tornando desafiador retornar à vida anterior. É uma luta compreender esse fenômeno, como se a mente estivesse em cativeiro, resistindo aos esforços de retomar o controle e mudar o foco para outras áreas da vida. A estrutura do abuso, principalmente de natureza mental, é complexa e pode se estender para além do domínio psicológico, afetando até mesmo aspectos físicos. A dimensão mental desse fenômeno torna-se ainda mais desafiadora, uma vez que ocorre em um território intrinsecamente secreto (ninguém vê o que você sente e o que se passa na sua mente ou se passou no abuso). As mentes são enclausuradas em um ambiente onde a intervenção é escassa, dificultando tanto a compreensão interna quanto externa.

Explicar para si mesmo, alcançar a conscientização e compreender verdadeiramente o que aconteceu tornam-se tarefas difícil. A dificuldade reside em reconhecer que é como se a mente fosse capturada, levando a ações que não se alinham com nossos pensamentos originais. Após o término do relacionamento, manifestam-se comportamentos autodepreciativos, revelando uma perspectiva negativa que se desenvolve ao longo do ciclo.

 

 

Nesta fase específica, começamos a adotar comportamentos e pensamentos que reproduzem exatamente o condicionamento imposto pelo abusador. “ah, eu não sou tão bonito(a), eu não sou bom ou boa o suficiente, eu não tenho valor, vou ficar sozinho(a), eu sou abusivo(a)” Submetemo-nos de maneira humilhante, absorvendo as ideias vexatórias que nos foram inseridas e programadas. Acreditamos na culpa que o abusador nos fez sentir, assimilando seus pensamentos sobre nossa própria falta de valor e a convicção de que somos responsáveis pelo que aconteceu. Nossos pensamentos se alinham aos do narcisista, adotando essa perspectiva.

 

Essa sincronia mental é uma parte significativa da conexão mental mencionada. Quando falamos sobre a atração nesse contexto, é crucial compreender que nossos pensamentos se alinham estreitamente aos do narcisista. O narcisista, devido à sua posição percebida como extremamente superior, enxerga a vítima como algo sem valor. Essa perspectiva do narcisista se reflete em nossos próprios pensamentos durante essa fase. É como se fosse uma simbiose, um encaixe de vítima/abusador.

 

 

Na fase do descarte e abstinência, encontramo-nos em um estado de busca desesperada por qualquer sinal de aceitação, mesmo que seja apenas uma migalha. Nossos pensamentos estão totalmente alinhados com os do narcisista, criando uma harmonia perfeita. Nesse estágio, passamos a adotar exatamente o mesmo ponto de vista que eles têm sobre nós, internalizando a crença de que são verdadeiramente incríveis, enquanto nós nos vemos como insignificantes. Esse alinhamento de pensamentos reforça uma conexão profunda, pois começamos a pensar exatamente como eles, aceitando a visão depreciativa que têm de nós. Isso na verdade não é uma conexão espiritual, energética, sobrenatural, a isso nós chamamos de vínculo traumático. Eu sei que você pode até estar duvidando nesse momento que você está traumatizado ou traumatizada, assim como duvidando as vezes até que passou por abusos emocionais, mas passar por um relacionamento narcisista é tão intoxicante que até isso você não consegue enxergar, segundo o Institute for Relational Harm Reduction as estatísticas são que 90% das pessoas que passam por relações abusivas com narcisistas desenvolvem traumas, similares aos traumas de guerra.

 

Durante todo o ciclo de abuso, o narcisista implanta gatilhos poderosos em nossa mente, muitas vezes sem nossa percepção. Ao considerar esses gatilhos, é crucial entender que o narcisista se torna presente de uma maneira que difere das interações normais. Enquanto um parceiro convencional compartilha espaços comuns, o narcisista deixa sua marca de maneira profunda, quase como uma lavagem cerebral.

 

Ele incute suas influências em todos os aspectos da vida da vítima, desde a música até os aromas e texturas, reforçando constantemente e de forma repetitiva sua presença na mente da vítima. Você nunca percebeu, como o narcisista repetia certas frases, músicas, cheiros? Era intencional. Cada objeto que o narcisista utiliza se torna uma extensão desse processo, associando-se à presença dele na vida da vítima. O narcisista faz com que a vítima associe cada elemento ao seu redor diretamente a ele, tornando difícil realizar atividades cotidianas sem relembrar histórias ou manipulações dele ou dela. Essas associações tornam-se tão marcantes que a vítima não consegue, por exemplo, pegar um objeto,  ou assistir à televisão sem que esses momentos estejam ligados com a presença persistente do narcisista.

 

O narcisista tem o poder de transformar situações totalmente tranquilas em referências a ele ou a ela. As mentes se conectam, mas além desse contato externo, você também carrega consigo seus próprios pensamentos e o ambiente ao seu redor. Isso, por si só, cria uma conexão mental com o narcisista, o que na verdade trata-se de um vínculo traumático.

 

A relação com o narcisista é única, onde as fronteiras entre você e ele se confundem, porque na verdade, ele espelhou você. Ele tornou-se por um breve período de tempo, tudo aquilo que você sonhou. A tentação de verificar postagens nas redes sociais pode reforçar essa sensação, mas é crucial compreender que há elementos dentro de você e ao seu redor que talvez você não tenha percebido, contribuindo para esse impulso.

 

Lidar com pensamentos recorrentes e obsessivos pode se tornar desafiador, são o que nós chamamos de pensamentos intrusivos, interferindo nas atividades diárias, nas interações sociais e até mesmo na alimentação. Reconhecer o problema é o primeiro passo, e algumas técnicas podem ajudar a diminuir esses padrões. No entanto, é fundamental considerar uma ajuda psicológica séria e efetiva, pois em casos como esse, o apoio profissional pode ser crucial para recuperar o equilíbrio na vida.

 

O primeiro passo para se desconectar mentalmente é desejar sinceramente essa desconexão. Isso vai além de simplesmente querer parar de sentir emoções negativas; envolve aceitar que a história chegou ao fim, sem grandes elaborações ou desdobramentos futuros. Acabou simplesmente. Querer a desconexão significa encarar o fato de que a situação foi extremamente difícil e estar disposto a se libertar dela, sem alimentar expectativas adicionais.

 

Essa disposição para aceitar o término pode ser desafiadora, pois muitas vezes nos pegamos elaborando cenários e desejando justiça. Entretanto, é crucial entender que se manter nesse ciclo de pensamentos, incluindo a ideia de vingança, torna difícil a desconexão. Desejar a desconexão também envolve aceitar a ideia de deixar ir, liberando a energia ligada ao narcisista.

 

Buscar informações sobre o tema é fundamental, pois o conhecimento ajuda a dissipar experiências traumáticas. Compreender os mecanismos por trás do abuso narcisista ajuda a desbloquear e desconectar, dissipando as sensações de isolamento e contribuindo para o processo de cura. Essa busca por informações é, talvez, a parte mais crucial e impactante no caminho da desconexão.

Outro passo é identificar os gatilhos que foram implantados, como mencionado no início do vídeo, muitas vezes passando despercebidos. Ao perceber que você já está se conectando novamente, faça uma varredura em sua casa e em seu dia. Observe quando esses pensamentos começam, seja ao ouvir uma música, ao pegar um objeto, ver uma foto. Tente associar se há histórias, ideias ou algo que tenha sido plantado em sua mente.

 

Faça o possível para se livrar desses gatilhos. Isso pode envolver mudanças na sua vida, na sua rotina, nos objetos que lhe cercam, as pessoas que você convive,  que possam desencadear lembranças. Tudo aquilo que está associado ao narcisista, se possível, deve ser trocado ou eliminado. Embora algumas mudanças possam parecer desafiadoras, às vezes é necessário alterar diversos aspectos da sua rotina.

O primeiro gatilho, muitas vezes inadvertido, leva-nos a pensamentos condicionados, quase como um adestramento, que passam despercebidos porque estão profundamente inseridos em nossa casa e vivência. Após realizar essa "faxina" para eliminar esses gatilhos, torna-se consideravelmente mais fácil adotar o "contato zero" e a abordagem "pedra cinza", elementos fundamentais nesse processo.

 

O "contato zero" envolve fechar todos, absolutamente todos os meios de comunicação, impedindo o stalk e a procura por informações. Já a abordagem "pedra cinza" é útil para quem não pode fechar completamente as portas, proporcionando uma forma de se blindar emocionalmente da interação. Em outras palavras, você deixa de funcionar como uma fonte de suprimento emocional.

 

Essas estratégias são cruciais para evitar que o narcisista tenha acesso a você, contribuindo significativamente para a diminuição da conexão mental.

Um ponto crucial é se conectar ao presente, à sua presença. Dentro do ciclo do narcisista, ocorre frequentemente uma distorção do tempo, onde somos levados a acreditar em um futuro que nunca se concretiza. Durante o descarte, tentamos resgatar o passado, e no isolamento, ficamos desconectados do momento presente. Essas ruptura com o tempo presente, além de nos trazer grande ansiedade, faz parte do vínculo traumático que fomos submetidos e que se instalou desde o começo de uma relação patológica. Concentrar-se no agora é uma técnica eficaz para lidar com pensamentos ruminantes e indesejados. Práticas como meditação, mindfullness, atividade física, técnicas de respiração ajudam a interromper esses pensamentos cíclicos. E são essenciais no processo de cura. Quando você consegue voltar ao momento presente, começa a se libertar dessa bolha onde o tempo estava distorcido. Portanto, buscar técnicas que o reconectem ao momento atual, é fundamental.

 

Outro ponto importante é deixar de ter os mesmos pensamentos que o abusador. Isso implica em não replicar o abuso em si mesmo. O narcisista faz com que você acredite em é sua culpa e o coloca em uma posição de humilhação, elevando-o a um pedestal. Tomar consciência desse padrão de pensamento é fundamental para interrompê-lo. Ao entender o tema e se conscientizar desses pensamentos e comportamentos, você para de replicar o abuso, desconectando seus pensamentos do narcisista. Quando você deixa de pensar exatamente como o narcisista,  você não está mais alinhado a ele.

 

Quando você se sente culpada, é crucial elaborar sobre esse sentimento, explorando se faz sentido dentro do contexto do relacionamento, porque não, você não é culpada(o). Busque informações sobre o tema, analise racionalmente o que está elaborando e perceba se realmente faz sentido. Quanto mais você elabora no nível racional, mais se desconecta dos pensamentos que foram impostos a você. Ao começar a pensar por si mesmo e a se tratar de maneira diferente, você se afasta da ideia fantasiosa que foi plantada e sua mente começa a se desconectar.

 

Ao se sentir atraído para pensamentos diferentes, trate-se com gentileza e abasteça-se de conteúdos positivos, como músicas, filmes, lugares, ideias e ideais que tragam felicidade. Preste atenção nas letras das músicas, no tipo de filme que consome e nas conversas em que participa. Consumir conteúdos mais edificantes ajuda a mudar seus pensamentos e a se afastar de pensamentos mais densos, contribuindo para a diminuição do trauma.

 

Então, para se desconectar, é fundamental ser gentil, amável e generoso consigo mesmo.  Isso chama-se autocompaixão, fundamental para sua cura. Embora seja importante buscar melhorias em nossos comportamentos, a forma como nos tratamos não deve estar na mesma sintonia dos padrões impostos pelo abusador.

Ao nos tratarmos melhor e buscar coisas mais positivas, descobrimos aspectos agradáveis no caminho. Esse processo de reconexão consigo mesmo não apaga o que aconteceu, mas nos permite abastecer-nos com coisas mais saudáveis, criando novas conexões neurais em nosso cérebro, mais positivas e saudáveis,  beneficiando outras áreas de nossas vidas.

Espero sinceramente que essas ferramentas ajudem vocês a se desligarem de situações prejudiciais. Dormir pensando, acordar pensando e sentir que algo está sempre presente podem ser desafios intensos, e não passa de uma armadilha do seu cérebro que foi intoxicado por uma conduta perversa e destruidora contra você. Mas fique tranquilo(a) pois há cura sim para isso, e isso com certeza irá passar. 

Entenda que não podemos controlar ou interferir no que os outros são, mas podemos nos afastar, buscar melhorar nosso bem-estar, nos conhecermos e entender nossas necessidades, termos mais autocompaixão, evoluir, crescer e ser feliz. Narcisistas não mudam, apenas trocam a máscara, afaste-se e preserve-se. Se você gostou desse conteúdo, deixe o seu like e inscreva-se ativando também as notificações, muito obrigado. E acredite, você vai superar isso. Forte abraço.

 
 
 

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© Narcisismo sem Máscara - Leo Bertolazzi - Psicanalista - Terapia especializada para vítimas de abuso narcisista.

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